domingo, 27 de dezembro de 2009

Urbanos sorrisos humanos.

I
Por nascerem teimosos
Sorrisos sinceros na pedra das ruas,
Colhi com afeto,
Os rostos cansados pra minha memória.

II
Risando malícia,
Correndo nas praças de guerra urbanas,
Avante, esquivando de bombas
Guardei em meu corpo,
O sentido de certas risadas.

III
Costurei em pontos cegos
Sorrisos aos risos aos olhos ao peito,
Para que fizesse bandeira viva,
No ponto mais alto do mundo cidade
E como capa d’alma beleza
Que visse, pudesse
Seguir em paz.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

antropogonia na educação

a criação do homem pela educação, segundo eu!
.
Construção.

O homem, como um ser fraco diante da natureza, sempre valorizou a construção dos alicerces da sua sociedade em bases fortes e estáveis, que garantissem resistência ao tempo e outros fatores, naturais ou não. E aquele que a esses ideais se enquadrava recebia dos seus uma atribuição especial: a dignidade.
Na tentativa da manutenção do seu reinado, os primeiros homens dignos criaram uma função para que os alicerces se tornassem mais resistentes. Essa função caberia a um homem que pudesse dedicar toda sua vida no exercício de disciplinar os pequenos homens a se tornarem homens dignos como os primeiros grandes homens.
A esses senhores seria dada a alcunha de mestres e seu lugar seria um imenso forno, onde forjaria dos pequenos homens a dignidade em pessoa.
Os mestres seriam, perante a lei, a representação da relação de pai e filho. Caberia a eles tolher todas as atitudes repulsivas e selvagens que os pequenos homens traziam de herança dos macacos. Encarnar os filhos com a dignidade que os pais sustentam consigo, por sua vez, resultantes da digna sociedade que os homens estavam a construir.
A mão do pai que aponta a direção correta, leva os pequenos homens ao caminho da continuidade desmedida.
A ferro e fogo, nas fornalhas dos primeiros mestres, forjou-se um milhão de homens dignos, que poderiam dar continuidade ao sonho do reinado humano.
E assim eles fizeram.

Perpetuação.

Um milhão de novos homens dignos trabalhariam para que os seus pais pudessem descansar. Sua força de trabalho era recompensada pela construção e preservação da propriedade humana. Graças aos fogo dos mestres, essa geração podia afirmar-se tão digna quanto a primeira, e sustentariam nossa sociedade por uma centena de anos e ainda após isso seriam lembrados como nossos bons pais.
A luta diária daqueles que criaram o batalhão de homens dignos era recompensada em seus leitos de morte, quando percebiam que os prédios permaneciam os mesmos e as casas, por volta das sete, ainda tinham o mesmo cheiro de feijão e sons de telejornal. A sociedade havia resistido intacta diante da atrocidade do tempo e um milhão de homens preenchiam os vazios das ruas com suas dignidades estampadas nas carteiras de trabalho e nas notas de dois reais.
Os homens sorriam diante da beleza de suas mulheres e cantavam a juventude de seus ideais. Seguiu-se o momento da perpetuação da espécie, onde o cheiro do feijão das sete confundia-se ao do sexo feito diante do telejornal. A dignidade entendia o happy hour como um falo entende pernas abertas.
E a cada dia, os novos pequenos homens que corriam às ruas e destruíam vidraças eram mais numerosos, praticamente num recorde da indústria de filhos. Assim tornando-se mais numerosos que os próprios pais, inclusive.

Preocupação.

Um temeroso batalhão de um milhão de homens seguidos por seus dois milhões de filhos foram bater à porta dos mais velhos, questionando a validade de encarnar em suas pequenas crias um pouco de dignidade também. Os velhos, que mais nada sabiam à respeito de prédios, vidraças ou feijão, deram liberdade aos homens dignos para fazerem o que bem entendessem de seus pequenos homens, desde que não mais os perturbassem.
Sem bem entenderem, um milhão de homens levaram seus filhos aos fornos da sociedade onde pretendiam forjá-los ao modelo de sua dignidade, para que pudéssemos observar os humanos perpetuando-se novamente.
Porém, os velhos mestres mortos já não mais poderiam indicar aos filhos dos dignos sua virtude, e aqueles que ainda permaneciam fortes não eram suficientes para forjar decentemente os dois milhões de pequenos homens ruidosos que ali estavam.
Decidiu-se democraticamente que os mestres deveriam fazer o trabalho possível em suas crias. Que elas, ao mínimo, deveriam deixar os fornos valorizando a dignidade dos pais e crendo em seus avós.
Num esforço sincero, os mestres restantes atearam fogo a dois milhões de pequenos homens naquela noite.

Masturbação.

Os egos incendiados vinham à tona através de ruídos tenebrosos, bolhas de hormônio e danças caóticas. Manifestavam-se sexualmente, sozinhos ou em grupos, sempre inflamando urros de gloria e desespero ao desconhecido futuro próximo.
Quanto aos mestres, caberia a tarefa de dispersá-los, desmontá-los, desfigurá-los, descategorizá-los e em seguida catalogá-los, lixá-los, poli-los e vendê-los de volta aos pais.
O martelo do mestre provoca um estampido oco quando esmaga a cabeça de um ego incendiado pego de surpresa. Em seguida, todos os outros começam a gargalhar e se mover freneticamente pela fornalha. O ego atingido se apaga, tornando-se rocha sólida. A gargalhada remodela-se um uníssono de pavor ao confronto com a fragilidade do ser.
Por sua vez, os mestres passam a entoar mantras físicos enquanto abatiam dezenas de incendiados mais frágeis, arremessando restos de ego partidos contra a multidão que não se continha entre risos e fugas.
Aos poucos, o cansaço trazia os mestres ao chão causando uma reação até então inédita. Os egos incendiados passaram a organizar-se para atacá-los. Pequenos grupos de duzentos ou trezentos mais corajosos pulavam em direção aos mestres mais fracos de uma só vez, incendiando seus corpos e trazendo seus egos à tona.

Colação.

Travaram a batalha durante dez anos. Até o momento que apenas o mestre mais jovem restava vivo diante da multidão de quatrocentos mil egos exaltados. Acuado, escondera-se fingindo de morto, atitude essa que rendeu-lhe oportunidade para testemunhar a maior festa de toda a história do homem.
Durante sessenta dias, reuniram-se diante da caldeira central e formaram uma planície de corpos flamejantes que copulavam em nome da resistência à batalha.
Era a Orgia dos Quatrocentos Mil Egos Vencedores.
Muitas vezes o caos hormonal ali presente causava tumulto entre eles. Durante a festa, o mestre mais jovem presenciou assassinatos deliberados de vários egos por conta de infrações às regras estipuladas por eles próprios. Em sua linguagem, que é incompreensível ao ouvido humano, eles organizavam-se para punir outros egos que haviam invadido o espaço que não lhe era destinado.
O ar voluptuoso que o jovem mestre respirara durante os sessenta dias da Orgia, infeccionara suas ventas e trouxera a doença da excitação à sua mente. Ele agora tinha o raciocínio retardado pelo cheiro do sexo e não seria capaz de resistir por muito mais tempo além daquelas ultimas horas. Os corpos dos egos estavam enfraquecidos pelos consecutivos orgasmos quando o jovem mestre teve a idéia que lhe projetou à história de nossa sociedade: os canudos das fornalhas!
Reunindo suas ultimas forças, o jovem mestre atacou os egos incendiados enquanto desfrutavam do gozo, projetando-lhes canudos em seus anus, assim removendo temporariamente as possibilidades de reação. Os egos agora tinham seus vácuos preenchidos com os frutos das fornalhas e as percepções abaladas por uma violenta penetração anal.
O jovem mestre, ainda antes de gozar para a morte, expulsou todos os egos dos fornos da sociedade, acreditando que os canudos fossem o suficiente para acalmá-los na vida pública. Doze anos após o início desta batalha tornou-se herói ejaculando suas ultimas forças.
.
(continua...)

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

O Transeunte.

Trânsito em todas as direções.
Aos montes, o ritmo frenético dobra esquinas e faróis.
E não dormem as passarelas asfaltadas.
Que se cruzam elevados monumentos da via de progresso.
Progressão de mão única, sem retornos.
Com seus automóveis, o trânsito é o grande autômato urbano.
Território do movimento mecânico da cidade.

E se perdem os sentidos da corrida.
Sente-se apenas a necessidade de correr.
No corpo, naquilo que ele tem de orgânico.
E com o corpo, se atira à cidade.
Correndo em busca de direção,
Sem ver que mesmo que perdida
A corrida já é direcionada.

E de tanto circular por esquinas,
E tanto lamber o vidro das vitrines,
E tanto se afogar em valetas,
E agarrar-se a seus pertences com toda força que possui,
E de tanto passar pela paisagem que não lhe pertence à memória,
E de tanto passar se esquivando da paisagem.

Que em não encontrar sentido no que existe,
Que em não se entender no que está pronto
Já que tudo está,
E não está em nada,
Não há outro senão o de destruir.
Nem que seja a si
Ou o próprio olhar que não vê senão o alheio
Da própria definição.

E se afoga em fumaça escapista,
Além daquela dos escapamentos
Por entre corredores de carros parados
Com vapor de algo na cabeça
Acenando pra câmeras públicas,
Mandando imagens de aceno direto pras telas privadas.
Porque são todos vigias à domicílio.

E assusta ver.
Por que não é reconhecido
O aceno em meio ao enxame.
E se tonteia em meio movimento.
Que lhe faz contraste ao corpo inerte.

E corre mais.
Porque o corpo pede mais.
Encarando tudo que não lhe seja
E salta por sobre os toldos
Corre com as solas nas janelas espelhadas dos prédios
E se vê dividindo reflexo com favelas
Que vão sendo derrubadas por tratores ferozes
Por sujarem por demais reflexos tão caros.

E se vê calçada.
E se vê sujeira.
E se vê caça.
E as pás dos tratores se aceleram a varredura.
E as fardas que caçam sujos.
E vão reformando o concreto pra que não haja abrigos.
E atrás de si se levanta o chão destruído.
E reformado.
E todos os parados do trânsito são sujos.
E para ser limpo basta circular.
E corre mais.
E cambaleia por entre pessoas às pressas.
E foge de fardas azuis.
Escala os elevados e cospe neles.
Encrencando com o telefone público,
Distribui chutes e pontapés.

E amarra ao próprio peito uma bomba.
Porque não se vê em nada.
E amarra ao próprio peito uma bomba.
Porque não pertence a nada.
E amarra ao próprio peito uma bomba.
Porque é invisível.
E amarra ao próprio peito uma bomba.
Pra que pela primeira vez seja visto, misturado à paisagem.

O trânsito é o grande autômato urbano,
Corre cheio por todas as vias.
Em todas as direções.
Numa via de mão única,
Seu retorno, é para si.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

ESTILHAÇO POUCO É BOBAGEM ou RÉQUIEM PARA UM VIDRO TEMPERADO



Sugestão Sonora: Coisas n°5 - Moacir Santos
http://rapidshare.com/files/264607457/Moacir_Santos_-_Coisas_n_5.mp3.html



O cobrador mal se abalou ao ouvir aqueles xingamentos todos. Limitava-se a fazer breves comentários com o motorista enquanto o negreiro, quase vazio, deixava o Largo da Concórdia.

"CEI'SÃO UNS FILHO DA PUTA! O CARA PAGOU UM CRUZÊRO PRO MOTORISTA QUE EU VÍ, EU VÍ!"

E continuou...

"FULERAGE DO CARALHO, O MOTORISTA TOMA O CAFEZINHO DELE E NÓIS TUDO AQUI PAGA FEITO TROUXA. TÚ TÁ FUDIDO MOTORISTA, SE TU FOR EM LIMOÊRO TU TÁ FODIDO, SE PASSAR NA FRENTE DO MEU BAR LEVA É UMA PEXERADA!"

Impaciente, a mulher que havia se afastado sem dizer uma palavra quebrou o quase silêncio:

"CABRA SAFADO, FIQUE QUIETO, TU QUER TOMAR TUA CANA, USAR TEUS TROÇO TU USE, MAS NUM MAZÉLE CUM QUEM TÁ QUIETO!"

Mas tão clara quanto a intenção da mulher, foi a falta de êxito.

"E TU SE CALE QUE NUM SOU OTÁRIO, TU TAMBÉM PAGASSE TEUS DOIS, EU PAGUEI, ELE PAGOU, ELA PAGOU, SÓ O SAFADO NUM PAGOU E O VIADO DO MOTORISTA FEZ NÓIS TUDO DE TROUXA, EU VOU FICAR QUIETO NÃO, EU VOU É PUXAR ESSA PORRA AQUI!

Cambaleante, o homem dirigiu-se à alavanca de emergência com a séria intenção de derrubar a janela. Puxou. E não conseguiu derrubá-la.

"TU SE GUARDE MOTORISTA, TU SE GUARDE, SE LHE PEGAR TUA MULÉ FICA VIÚVA SEM NEM SABER DE ONDE! COBRADOR VIADO DO CARALHO!!"

Já na Curva da Morte, o cara levantou-se aos berros e foi em direção ao cobrador. A mulher, prontamente (e também aos berros!), chutou-lhe com voracidade o peito deixando-lhe a marca do salto do surrado sapato.

"VAGABUNDO, CORNO DA MOLESTIA, EU VOU LHE DENUNCIAR ARRUACEIRO, EU VOU LHE DENUNCIAR! CHUPETA DE CANA DA GOTA SERENA...

"E EU LÁ TENHO MEDO DE TÚ QUENGA DOS INFERNO? DENUNCIE QUE EU NUM SO HOME DE GUENTAR DESAFORO NÃO, PORQUE EU PAGUEI MEUS DOIS MERRÉIS, E O MOTORISTA ME FAZ UMA FULERAGE DESSA! EU NUM GUENTO CUM ISSO NÃO... EU VOU PUXAR ESSA PORRA!"

Ermelino Matarazzo ficava para trás quando o bebum caminhou então até a alavanca da outra extremidade da janela. Puxou. Mais precisamente, pendurou-se na alavanca fazendo força com os pés na base da janela. Não conseguiu mais que alguns estalos. - a janela, heróicamente, manteve-se intacta.

Os passageiros restantes, bastante íntimos da situação, tentaram intervir. Os mais compreensivos tentavam tranquilizar. Os mais agressivos, geralmente próximos a seus destinos, gastavam alguns breves insultos, apenas para não desperdiçar a rara oportunidade.

O bêbado não se rendeu.

"TÔ SABENDO MOTÔ, ESSE FILHO DA PUTA GANHA O DELE E AINDA FAZ O POVO DE OTÁRIO, TÔ SABENDO, EU VOU DERRUBAR ESSA PORRA AQUI, EU VOU DERRUBAR!!"

Enquanto o ônibus passava o farol vermelho na Praça do Forró o bebum entrou em extase. Após mais uma tentativa fracassada com a alavanca de emergência, optou por uma via menos tecnológica, porém que se mostrou mais eficiente: meteu um ponta pé na janela.
Feito chuva de granizo, os estilhaços de vidro temperado se espalharam por todo o corredor do busão, ganhando a atenção e os olhares de todos os poucos passageiros daquela madrugada.

"VÁ PRA DELEGACIA SEU MOTORISTA QUE EU VOU DENUNCIAR ESSE CORNO! EU VOU LHE DENUNCIAR SEU FILHO DA PUTA, HOJE TU VAI SER PRESO! E TU NUM ENTRA MAIS EM MINHA CASA NÃO, VISSE!?"

Ao ouvir o estilhaço, a gritaria, o motorista alterou o habitual itinerário...

"TENHO MEDO DE PORRA NENHUMA NÃO, VISSE!?"

...deixou a avenida Nordestina e voltou por uma paralela até chegar a seu mais recente destino, o 22°DP. Desceu.

"NEM DE TU NEM DE POLÍCIA NEM DE MOTORISTA NEM DE PORRA NENHUMA! ÓI EU AQUI REDE GROBO!" - disse o homem mostrando o dedo do meio à câmera no fundo do ônibus.

E se foi pela janela que ele mesmo quebrou.
Do crime à fuga numa só janela.



domingo, 2 de agosto de 2009

dez ogivas e insatisfação

a crise dos mísseis, resumida pelo site brasilescola:

"

Na década de 1960, os olhos do mundo se voltavam para uma pequena ilha centro-americana que, por meio de uma revolução armada, derrubou a hegemonia política dos EUA na América Latina. Naquele período, a ilha de Cuba se tornou um enorme atrativo político capaz de instigar o temor e a admiração de muitos políticos. Para os EUA, aquela situação representava uma séria ameaça aos seus interesses econômicos, políticos e ideológicos. Não por acaso, as autoridades norte-americanas buscaram todas as formas para conter a consolidação do Estado revolucionário cubano. Sem obter uma resposta favorável, o presidente John F. Kennedy decidiu, no início de 1961, findar as relações diplomáticas com o governo cubano. Alguns meses depois, organizou um grupo de soldados cubanos e estadunidenses para derrubar o governo de Fidel Castro por meio de uma invasão à Baía dos Porcos. O chamado “Ataque à Baía dos Porcos” acabou não surtindo o efeito esperado e o insucesso daquela manobra militar poderia representar sérios riscos para os interesses dos EUA. Após esse incidente, Fidel Castro se aproximou do bloco socialista promovendo um intenso diálogo com o presidente russo Nikita Kruschev. Dessa nova aliança, nasceu um plano que materializou uma das maiores crises políticas da Guerra Fria. Segundo relato, no dia 14 de outubro de 1962, um avião de espionagem norte-americano sobrevoou o território cubano em busca de informações sobre o local. Nessa missão, coletou uma série de imagens do que parecia ser uma nova base militar em construção. Após um estudo detalhado das imagens, as autoridades norte-americanas descobriram que os soviéticos estavam instalando diversos mísseis capazes de carregar ogivas nucleares em Cuba. Pela primeira vez, os norte-americanos sentiram-se ameaçados pelos horrores das mesmas armas que protagonizaram o ataque nuclear de Hiroshima e Nagasaki. Para alguns analistas, a ousadia da manobra militar cubano-soviética poderia dar início a uma nova guerra em escala mundial. Dessa forma, entre os dias 16 e 29 de outubro daquele mesmo ano, foi iniciada uma delicada rodada de negociações que deveria conter a ameaça de uma guerra nuclear. Após um intenso diálogo, marcado inclusive com uma reunião entre Kennedy e Kruschev, os soviéticos decidiram retirar todos aqueles mísseis apontados para a nação-líder do bloco capitalista. Na verdade, a possibilidade de guerra era impossível, já que ambos os lados tinham um poder bélico de destruição capaz de aniquilar completamente o inimigo. Depois disso, acordos proibindo a proliferação de armas nucleares foram assinados pelas lideranças socialistas e capitalistas.

"

os senhores, por favor sintam-se à vontade para apreciar também o mesmo resumo por uma outra fonte:



trova nuclear,
sempre trazendo uma alternativa pra você!!!

Precisa-se.






Não existem mensagens melhores que aquelas, coladas num poste, pertinho de você.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

A maquinal-matinal



quarta-feira, 22 de julho de 2009

President Burqa




"..."

Foi o que a presidente democraticamente eleita manifestou durante sua cerimônia de posse, repetida ao Centro de Assuntos Femininos e Familiares, antigo Centro para a Participação Feminina no país, novamente na sessão de abertura da reunião de cúpula do Movimento dos Países Não-Alinhados, e em pronunciamento a Agência Internacional de Energia Atômica.

terça-feira, 14 de julho de 2009

boriscasoyeuteamoloucamente

video

"é bom acordar nas manhãs frias de janeiro e tomar um cafézinho! e depois de sentir aquela preguiça gostosa indo embora, a gente senta de moleton no sofá pra ver as notícias correndo soltas. muito legal ver o trânsito, a temperatura, o vai e vem dos preços e das pessoas. tudo mostrado daquele jeitinho descontraído, como se conversassem conosco mesmo. eu gosto do jornalismo e acho que mais importante que ele, na televisão, só a propaganda eleitoral mesmo."

o âncora Boris Casoy, quando questionado à respeito de sua depressão.

ok, computer

testando...
testando...
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testando...
testando...
testando...
testando...
testando...
todas as funções em operação... computador ok.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Ode o fim.

É tempo de rebanhos.
De rebanhos e pastores,
De respostas ao final.

É tempo de fim.
As dragas dos hábitos,
Tragam tudo quanto possível.
Juntem à quantos puder!
Circundantes discursos de salvação.
Vejamos o mundo em multidões
Correndo seus atropelos
Pelas galerias e feiras,
Pelos labirintos de vidro
E cimento sorridente.

É tempo de tragédias via satélite.
Frango frito e genocídios pelo globo.

É tempo de trabalho.
Trabalhamos pelo apocalipse
Da vida diária.
E com fé, trabalhamos
Pelo mundo melhor
Das cestas básicas.

É tempo das melhores intenções.
Vendemos nossa bondade
Aos designers do sentido
Para torná-la bonita.
Torná-la melhor.
E a penduramos no pescoço.

É tempo de colapsos.
Infartos do miocárdio
No centro dos valores.
E das bolsas.
E no olho de meninos
Com suas armas obsoletas,
Sangrando à pequenos Déspotas
Em troca de causar medo.
Único sentido possível à derrota,
É o de nascer sem nada a perder.

É tempo de esgotamento.
A excreta tóxica de nossos estimulantes
Escorre a céu aberto,
Em vias expressas,
Sempre expressos.
A ordem, a comida, o café.
As olheiras nos percorrem
Às semanas após semanas.
E excretamos em nossa água.
Em nossa água industrial.

É tempo de depósitos.
Acumulados por segurança.
Ratazanas com indigestão
Formam colônias
Nas cidades de hábitos descartáveis.
Mas mesmo colônias de ratazanas
Sofrem de superlotação.
E se devoram.

É tempo de cataclismos.
No centro cotidiano
De nossas vidas urbanas
Somos vistos de perto,
Pelos olhos de novos furacões caribenhos.
Enquanto crescem as ilhas pet,
Boiando no volume tão
Mais aquecido das águas internacionais.
Varrendo por tremores marítimos
Nossa miséria turística.

É tempo de rebanhos.
Tempo de naufrágios.
Tempos agarrados aos nossos destroços de fé.

Pois que mesmo apartados,
Construímos juntos
O mesmo sonho.
E que nem as armas e os justos,
Nem os bons,
Tão bons quanto mostrarem,
Sabem do outro lado de suas cercas.
Mas o outro lado existe.
Noutros rebanhos.
No mesmo lugar.

É tempo de conclusão.
É tempo de extinção.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Grande Promoção de Inauguração!

a dura dificuldade de se dizer "oi, você vem sempre aqui?"

minharro fuma meu cigarro. daqueles últimos cinco ja são dois.
a falta do que dizer estimula o gosto pelos estimulantes.
cheirar neblina pra bocejar vermelho feito romances românticos.


o que falar à princípio que não esteja dito nos meios e nos fins de toda bobagem que já é balbuciada por aí.

e daqueles que tomam iniciativa num momento de liderança espontânea, eu me vejo incentivado ao tal penúltimo cigarro e um bocejo tuberculoso.

pois bem, ao que vêm:

Mantenha-se no corredor. No corredor.
O ímpeto de sujeira se faz taquicardia em tempos de cidade bonita aos olhos.

Mantenha-se correndo. Correndo.
O ímpeto de dança regressiva sobre o asfalto enfaixado, fazendo fardas azuis-ou-cinzas-ou- verdes-ou-pretas-à-paisana mostrarem culotes e maquiagens gritando militares, tão militares quanto num clipe do finado jackson, brincando de US guardians armados à caça de búfalos ou crianças sujas aos cacetetes e fardas e medo e cidade limpa de tão limpa bonita aos olhos de quem vê.

Mantenha-se. Mantenha-se, baby.
O ímpeto primeiro de se botar inconvenientemente, justo ali, bem no meio do caminho.


(keep on going on.... 4ever and ever...)